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Entenda operação que investiga resultados manipulados no futebol da PB

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Na segunda-feira (9) uma operação foi deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público da Paraíba para investigar a manipulação de resultados no futebol profissional na Paraíba, um dia após a conquista do título de campeão paraibano 2018 pelo Botafogo-PB. O cumprimento de mandados de busca e apreensão mexeu com as estruturas de muitos clubes de futebol. O G1 consolidou as informações mais importantes divulgadas sobre a Operação Cartola.

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Operação investiga manipulação de resultados no futebol

As investigações são da Polícia Civil de João Pessoa e do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, e têm por objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de falsidade ideológica e manipulação de resultados no futebol profissional da Paraíba.

As equipes de monitoramento e vigilância da Polícia Civil analisaram centenas de documentos e realizaram diligências durante seis meses de investigações.

Quem está sendo investigado?

Segundo a Polícia Civil, 80 pessoas são investigadas no esquema. Entre eles:

  • Federação Paraibana de Futebol (FPF)
  • Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (CEAF)
  • Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB)
  • Dirigente de clubes de futebol da Paraíba (Botafogo-PB, Campinense, Treze, Atlético de Cajazeiras e CSP são alguns dos Clubes investigados)

Crimes investigados pela Operação Cartola

  • Organização criminosa
  • Crimes do Estatuto do Torcedor
  • Falsidade ideológica

Dirigentes, árbitros e FPF alvos de mandados de busca e apreensão

A Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram 39 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras na madrugada do dia 9 de abril. O cumprimento de mandados contou com a atuação de 230 policiais civis e foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e quantias em dinheiro. Veja lista abaixo:

  1. AMADEU RODRIGUES – Presidente da FPF
  2. ROSILENE DE ARAUJO GOMES – Ex-presidente da FPF
  3. MARCOS SOUTO MAIOR (MARQUITO) – Advogado da FPF
  4. JOSÉ RENATO (ZÉ RENATO) – Presidente da Comissão de Arbitragem
  5. SEVERINO LEMOS (BINA) – Diretor de arbitragem da FPF
  6. LIONALDO SANTOS – Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva
  7. ZEZINHO DO BOTAFOGO – Presidente do Botafogo-PB
  8. GUILHERME CARVALHO (NOVINHO) – Vice-presidente do Botafogo-PB
  9. BRENO MORAIS – Vice-presidente do Botafogo-PB
  10. ALEXANDRE CAVALCANTI – Advogado e vice-presidente jurídico do Botafogo-PB
  11. FRANCISCO SALES – Diretor do Botafogo
  12. WILLIAM SIMÕES – Presidente do Campinense Clube
  13. JUAREZ LOURENÇO – Presidente do Treze Futebol Clube
  14. FABIO AZEVEDO – Dirigente do Treze
  15. ALANKARDEC CAVALCANTI – Dirigente do Treze
  16. JOSIVALDO GOMES – Presidente do CSP
  17. RENAN ROBERTO – Árbitro de futebol da FPF
  18. ADEILSON CARMO – Árbitro de futebol da FPF
  19. JOSE MARIA DE LUCENA NETTO (NETO) – Árbitro de futebol da FPF
  20. ANTONIO CARLOS DA ROCHA (MINEIRO) – Árbitro de futebol da FPF
  21. JOÃO BOSCO SÁTIRO DA NOBREGA – Árbitro de futebol da FPF
  22. ANTONIO UMBELINO – Árbitro de futebol da FPF
  23. DIEGO ROBERTO – Árbitro de futebol da FPF
  24. EDER CAXIAS – Árbitro de futebol da FPF
  25. TARCISIO JOSE DE SOUZA (GALEGUINHO) – Árbitro de futebol da FPF
  26. LUIS FILIPE – Árbitro de futebol da FPF
  27. ÁDGUERRO XAVIER – Árbitro de futebol da FPF
  28. JOSE ARAUJO DA PENHA (ARAUJO) – Funcionário da FPF
  29. LUCAS ANDRADE – Funcionário da FPF
  30. SONIA ANDRADE – Funcionária da FPF
  31. BENEDITO DA PENHA MEDEIROS JUNIOR (BENINHA) – Filho de diretor do Botafogo-PB

Chefes do esquema criminoso de manipulação de resultados

De acordo com o Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi possível identificar dois núcleos na organização criminosa:

Primeiro núcleo: considerado o líder do esquema, formado por membros da FPF, CEAF e dirigentes de clubes de futebol profissional, que “conta com uma sofisticada rede de proteção, elevado grau de articulação institucional”.

Segundo núcleo: formado por membros executores ligados à CEAF (arbitragem), funcionários da FPF e de clubes de futebol, que atuam a mando do primeiro núcleo, de acordo com o Ministério Público.

Denúncia originou investigação contra corrupção

De acordo com o delegado de Defraudações e Falsificações da Polícia Civil de João Pessoa, Lucas Sá, a denúncia foi feita por pessoas ligadas ao futebol paraibano, mas não pode revelar os nomes.

Em 2017, o jogador de futebol Walter Januário de Paula Júnior, que jogou no Botafogo-PB em 2015, detalhou em um áudio o que seria um esquema de compra de árbitros que seria orquestrado por dirigentes do Belo. O arquivo de áudio se tornou público e rapidamente se espalhou.

À época, dirigentes começaram a se mobilizar, seja para se defender (no caso do Botafogo-PB), seja para atacar o rival (no caso do Auto Esporte, citado no áudio como um dos clubes prejudicados). De acordo com Lucas Sá, a denúncia de Walter não está diretamente ligada ao início da operação deflagrada nesta semana, mas o teor dela, sim, pode ter relação com o que está sendo investigado.

Campeonatos que podem ter sido manipulados

Os campeonatos de futebol da Paraíba de 2011 a 2018 estão sob suspeita de fraude, de acordo com o delegado Lucas Sá. Os três maiores clubes da Paraíba foram campeões nestes anos. O Treze venceu em 2011, o Campinense ganhou em 2012, 2015 e 2016 e o Botafogo-PB venceu em 2013, 2014, 2017 e 2018.

Por que a operação foi deflagrada apenas depois da final do campeonato paraibano 2018?

Segundo Lucas Sá, se um dos objetivos da operação é investigar a manipulação de resultados dos campeonatos de futebol da Paraíba, era necessário esperar a conclusão do Campeonato Paraibano 2018 para que a investigação pudesse ter andamento, já que esta edição também estava na mira da Polícia Civil.

Quebra de sigilos

A Polícia Civil pediu quebras de sigilos bancário, telefônico e fiscal de vários citados na operação que investiga manipulação de resultados do futebol paraibano, mas não divulgou os nomes. Segundo o delegado, há uma determinação judicial, para que o processo de investigação não seja prejudicado.

O que dizem os envolvidos

  • Federação Paraibana de Futebol (FPF): O presidente da FPF, Amadeu Rodrigues, disse que está à disposição da polícia. A Federação Paraibana de Futebol também emitiu uma nota oficial, afirmando que já havia disponibilizado, em março, a abertura dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais, não só da FPF, como também do presidente. A instituição ainda ressaltou que, a partir da nova administração, os árbitros não são escolhidos, mas sorteados publicamente, antes das rodadas, com transmissão ao vivo e abertura para a imprensa e os desportistas presenciarem no local.
  • Campinense Clube: O presidente do Campinense, William Simões, disse que as portas do clube estão abertas para colaborar com investigações.
  • Treze Futebol Clube: A assessoria do Treze informou que a diretoria ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.
  • Centro Sportivo Paraibano (CSP): O presidente do conselho deliberativo do CSP, Josivaldo Alves, disse que a investigação é positiva e que o CSP não tem nada a temer.
  • Botafogo Futebol Clube: O Botafogo-PB afirmou que está à disposição das autoridades, colaborando com as investigações, e que acompanha com tranquilidade o desenrolar das investigações.
  • Atlético de Cajazeiras: o advogado Rafael de Albuquerque informou inicialmente que o clube não foi notificado de nenhuma ação referente ao processo da operação. Ainda de acordo com o advogado, o Clube está à disposição para colaborar com qualquer informação.

Como ajudar investigações sobre corrupção no futebol da Paraíba

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) disponibiliza um site para que sejam enviados documentos, fotos ou vídeos que possam ajudar nas investigações, além do número 197 para denúncias.

G1 PB

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