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Heron Cid: A candidatura de Zé Maranhão e a hora do MDB se reciclar

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De 1990 para cá, o MDB deteve a hegemonia do Palácio da Redenção por treze anos. Nenhum outro partido governou mais do que os emedebistas até aqui. Mas, desde que perdera o poder, a tradicional legenda amarga gradativo declínio.

João Azevêdo venceu em 209 municípios da Paraíba, Lucélio em 9 e Maranhão em 5

A eleição de 2018 é a perícia final dessa constatação. O partido saiu menor, porque não dizer cambaleante do processo eleitoral.

O senador José Maranhão, cujo espírito partidário é inquestionável, persistiu numa candidatura ao Governo assumindo todos os riscos facilmente presumidos para tragédia. Só o entorno do parlamentar – cheio de saudade da Granja – fingiu não ver.

Sob o argumento de preservação da unidade partidária, a candidatura serviria para conter a divisão de alas a favor de uma aliança com o governo e contra uma reaproximação com o PSB.

Na prática, implodiu por fora a oposição, mas o estilhaços caíram dentro de casa.

Do nascedouro, sabia-se que a postulação própria do partido enfrentaria concorrentes com fragilidades e limitações políticas, mas montados em potentes estruturas de poder. Portanto, com remotas chances de êxito.

Diagnosticado esse quadro, restaria ao líder do partido o papel de conciliação e de preservação ao menos do tamanho da representação e influência do MDB.

Em nome da permanência de sua presença no centro da arena política, Maranhão ignorou isso, desconsiderou a possibilidade de a sigla ganhar o bônus do comando da Prefeitura de João Pessoa e foi para uma disputa inglória, praticamente isolado.

Dela, o MDB saiu raquítico. A bancada federal, que já teve até cinco parlamentares, foi extinta. Nem Benjamin Maranhão, sobrinho do presidente estadual do partido, se salvou.

Com muita dificuldade, o resiliente Raniery Paulino renovou o mandato e será um emedebista solitário no plenário da Assembleia. O desprendido ex-governador Roberto Paulino, improvisado de última hora como candidato a senador, não merecia o constrangimento que precisou enfrentar numa campanha desprovida de tudo.

Em verdade, a candidatura própria só colaborou para um propósito: dividir a oposição e facilitar a travessia de João Azevedo para um terceiro mandato do PSB.

Emedebistas históricos nessa hora devem estar refletindo: aquele que um dia já reunira o maior e mais denso número de quadros da Paraíba, virou o partido de um homem só.

Essa realidade pode até contemplar o veterano Maranhão, que comanda o MDB com mão de ferro, mas certamente não apraz o que sobrou da legenda. É hora da reciclagem.

HERON CID

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