Covid-19: mundo chega a 1 milhão de mortos pela doença

A covid-19 já tirou a vida de 1 milhão de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, referência global em dados sobre o tema. A marca foi atingida nesta segunda-feira (28). A doença causada pelo novo coronavírus apareceu pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019. Após três meses, havia causado 4.291 mortes e já estava reconhecidamente espalhada por todo o globo: a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou pandemia.

Agora, a análise de especialistas é de que o cenário ainda é preocupante, com os continentes efrentando fases distintas da disseminação do coronavírus.

A OMS afirmou que a quantidade de vidas perdidas pode chegar a 2 milhões antes que uma vacina bem-sucedida seja amplamente distribuída, e pode ser ainda maior sem uma ação conjunta para conter a pandemia.

Há mais de 160 candidatas à vacina sendo desenvolvidas por pesquisadores com tecnologias diversificadas, algumas nunca utilizadas antes. Destas, 40 já estão sendo testadas em humanos, de acordo de acordo com atualização feita pela OMS nesta segunda-feira (28).

Um relatório da ONG Oxfam mostrou que um restrito grupo de países ricos já comprou 51% de futuras doses das cinco principais vacinas em produção hoje: em produção hoje: da AstraZeneca, Gamaleya/Sputnik, Moderna, Pfizer e Sinovac.

Na última quinta-feira (24), o Brasil aderiu à aliança internacional, chamada Covax Facility, para garantir a produção e o acesso global aos potenciais imunizantes contra a doença causada pelo novo coronavírus. O governo federal liberou R$ 2,5 bilhões para viabilizar o ingresso na iniciativa.

De acordo com o Ministério da Saúde, a adesão ​irá permitir que o país tenha, entre suas opções, pelo menos mais nove vacinas que estão em desenvolvimento.

Diferentes fases ao redor do mundo

“Temos vários países em momentos diferentes. A Europa está entrando na segunda onda. O Brasil persiste na primeira, esse platô que nós atingimos perdura, embora o número de mortes tenha caído, ainda é alto. E a situação da América Latina como um todo preocupa”, avalia o infectologista Unai Tupinambás, professor da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A OMS fez um alerta sobra a situação da pandemia na Europa, onde os novos contágios diagnosticados na segunda semana de setembro ultrapassaram os 300 mil.

“É uma situação gravíssima a que está ocorrendo na Europa, onde os novos casos semanais de coronavírus superaram os notificados quando a pandemia se manifestou pela primeira vez em março”, explicou Hans Kluge, diretor-regional da organização.

Em meio à segunda onda de contágios, países como França, Espanha, Reino Unido e Alemanha endureceram as restrições impostas a fim de impedir que o vírus se espalhe mais rapidamente.

A Espanha, país com mais casos na União Europeia, tem o epicentro da pandemia em Madri. Há quatro dias, o ministro da Saúde alertou que a cidade passará por semanas difíceis e pediu determinação para controlar a doença.

Lígia Bahia, médica sanitarista e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirma que há um “redeslocamento da pandemia para a Ásia” e chama a atenção para a situação da Índia.

O país ultrapassou os 6 milhões de casos de coronavírus nesta segunda-feira (28) e, antes, havia batido um recorde ao levar apenas 11 dias para contabilizar mais um milhão de diagnósticos, quando passou de 4 para 5 milhões de pessoas infectadas. Além disso, no começo deste mês, a Índia já havia superado o Brasil  e agora está em segundo lugar em relação ao número de casos. 

Exemplo da Alemanha e da China

Entretanto, a quantidade de pessoas mortas no Brasil é bem maior e fica atrás apenas dos Estados Unidos. “Aqueles que desdenharam da ciência estão colhendo esses frutos, isso aconteceu na Inglaterra também. Já aqueles que seguiram a ciência tiveram sucesso, o exemplo maior é o da China. E a própria Alemanha teve um sucesso relativo em relação à Europa”, compara Unai.

Lígia concorda. “O maior exemplo é a Alemanha, porque a Angela [Merkel, chancelecer do país] segue a ciência e tem tido sucesso no controle de casos pós-reabertura”.

Sobre o Brasil, a professora destaca que o maior erro foi não ter feito o lockdown. “Pois aí não conseguimos ter medidas adequadas ao tamanho da população. Houve o distanciamento espacial parcial, mas não foi adequado e também somos um dos países que menos testa. Sem o lockdown e sem testes, nós ficamos numa situação muito difícil”, avalia.

Como será o futuro?

Ela acrescenta que as perspectivas futuras em relação ao cenário mundial da pandemia são sombrias. “A vacina vai reduzir a transmissão [do coronavírus], mas não é milagre. E a primeira geração de vacina sempre tem menos eficácia que a quarta”, ressalta. “Seria muito importante que houvesse testagem [em massa], porque vamos ter casos positivos [no Brasil] mesmo com o advento da vacina”, completa.

Unai, por sua vez, é mais otimista em relação aos potenciais imunizantes e lembra que ainda existem muitas perguntas sem resposta sobre como o próprio corpo combate o coronavírus – a começar pelo papel da imunidade celular na guerra travada pelo sistema imune.

“Tudo isso pode impactar. Se as vacinas se mostrarem eficazes e houver testes rápidos [de diagnóstico] a gente pode mudar bastante o controle da pandemia. São inúmeras variáveis”, pondera. “Mas claro que não se pode implantar medidas com base na esperança, é necessário manter os cuidados com a prevenção: lavar as mãos, evitar aglomeração, distanciamento social e máscara”, destaca.

R7

Foto: Hannah McKay/Reuters