Rebeliões em presídios deixam dezenas de mortos no Equador

Uma série de motins ocorridos em prisões de diferentes províncias no Equador deixaram 62 mortos nesta terça-feira, segundo confirmou o chefe do Serviço de Assistência a Pessoas Privadas de Liberdade (SNAI), Edmundo Moncayo.

De acordo com Moncayo, 33 presos morreram em Cuenca, outros 21 em Guayaquil e oito em Cotopaxi. O número de feridos ainda não foi determinado, e as inspeções nos complexos penitenciários continuam em andamento.

Disputa de poder

Em entrevista coletiva no palácio presidencial em Quito, Moncayo explicou que a disputa provavelmente corresponde ao vácuo de poder entre os grupos criminosos nas prisões gerado após a morte, em dezembro do ano passado, de um recluso que foi liberto e dirigia uma organização conhecida como “Los Choneros”.

José Luis Zambrano, também conhecido como “Rasquiña”, foi assassinado na cidade de Manta pouco depois de ser liberto. A morte pode ter despertado a ambição de outros grupos dentro dos complexos penitenciários.

“Esperávamos uma reação imediata, mas demorou. É o que está acontecendo hoje entre dois grupos tentando encontrar uma liderança”, analisou Moncayo.

A rixa ocorreu paralelamente nas três prisões, que concentram, segundo Moncayo, 70% da população prisional de todo o país, e para as quais os reforços militares tiveram de ser alertados para ajudar a controlar a situação.

Em relatório preliminar, foi dito que os tumultos ocorreram após uma busca realizada na véspera pelo pessoal prisional, que encontrou armas de fogo com as quais, presumivelmente, reclusos tentariam atacar os líderes de um dos lados em disputa.

A situação nas três prisões de Cuenca, Guayaquil e Cotopaxi foi colocada sob controle, e a Procuradoria-Geral do Equador iniciou investigações sobre o caso.

Mais cedo, durante o programa matinal “De frente com o Presidente”, o mandatário equatoriano, Lenín Moreno, disse ter autorizado “que a força seja utilizada progressivamente para garantir a segurança dos cidadãos que se encontram na prisão”, a fim de controlar os motins que ocorrem simultaneamente em três prisões do país.

EFE